605SALON
Exposição em cartaz

FLUXOS

Idealização Tereza de Arruda·Preview 20.06 · 11h às 17h·Av. Barão de Itapetininga, 255 — Conj. 605, República, São Paulo
Texto curatorial

O 605 Salon apresenta FLUXOS, mostra coletiva idealizada por Tereza de Arruda reunindo obras de Fernando Aidar, André Azevedo, Iêda Jardim, James Kudo, Li Qing, Chiharu Shiota e Barbara Steppe. A exposição surge como uma ressonância da participação desses artistas na 16ª Bienal Internacional de Curitiba, ampliando diálogos iniciados naquele contexto e propondo novas aproximações entre diferentes geografias, linguagens e experiências.

As linhas, tramas, trocas e conexões presentes nas obras evocam uma cartografia aberta, onde histórias individuais se entrelaçam a narrativas coletivas. Entre materialidade e imaginação, permanência e mudança, os trabalhos revelam a complexidade dos vínculos que constituem a experiência humana na atualidade.

No espaço do 605 Salon, a exposição convida o público a percorrer caminhos que se cruzam, se expandem e se transformam, oferecendo uma oportunidade de aprofundar questões lançadas na Bienal e de experimentar novas formas de diálogo entre obras, artistas e espectadores.

01

Fernando Aidar

São Paulo, Brasil · 1983
Fernando Aidar
Fernando Aidar
Fernando Aidar
Obras
Face interna 1
2020 · Porcelana, madeira, rejunte, azulejos de cerâmica, tinta a óleo, resina · aprox. 23 × 28 × 23 cm
Face interna 2
2020 · Porcelana, madeira, rejunte, azulejos de cerâmica, tinta a óleo, resina · aprox. 23 × 28 × 23 cm
criatura N.21
2020 · Escultura de cerâmica modelada no torno e queimada a 1300°C a gás em redução, com esmaltes de titânio e cobre · aprox. 34 × 23 × 23 cm

O artista Fernando Aidar explora o limiar entre natureza e artificialidade, ciência e ancestralidade, presença e estranhamento. Inspirada em seres marinhos, raízes e estruturas microbiológicas, esta obra assume a forma de um signo enigmático, quase alienígena, que interrompe a paisagem cotidiana e devolve o olhar ao espectador. Por meio da cerâmica de alta temperatura e do uso de esmaltes minerais não tóxicos, Aidar investiga a matéria como organismo vivo, ativando zonas de transição entre o humano, o mineral e o biológico.

Página do artista
02

André Azevedo

Curitiba, Brasil · 1977
André Azevedo
Obras
Série Macrocélulas
2023 · Tecido de tela cortado · 200 × 130 cm

Na pesquisa de André Azevedo, o têxtil emerge simultaneamente como linguagem, conceito e matéria. Utilizando máquina de costura e máquina de escrever de modo complementar, o artista investiga repetição, transmissão, reativação de imagens e linguagens. Sua prática compreende o entrelaçamento como princípio constitutivo da experiência, aproximando-se do tecido como inscrição material da memória e forma de relação com o mundo. De forma irônica cria um diálogo entre o mundo analógico e o virtual como na obra Online e Offline que simula uma alternância de estado e conexão.

Página do artista
03

Iêda Jardim

Goiânia, Brasil · 1969
Iêda Jardim
Obras
Memórias de bolso
2025/2026 · Objeto em tecido, cerâmica, impressão, bordado, cabide de madeira e pérolas · 47 × 126 cm

A produção de Iêda Jardim investiga herança, autoconhecimento e continuidade temporal por meio de tecidos suspensos, bordados e fotografias familiares. Sua prática ativa memórias ancestrais e processos de transmissão simbólica, construindo um campo de ressonâncias entre experiência individual e dimensões coletivas de cura e transformação. Ao articular passado e presente, a artista enfatiza a memória como força viva e processual, capaz de materializar trajetórias de formação identitária. Para a Bienal, desenvolve uma instalação inédita.

Página do artista
04

James Kudo

Pereira Barreto, São Paulo · 1967 · vive em São Paulo
James Kudo
James Kudo
Obras
Sem Título
2023 · Acrílica sobre tela · 150 × 180 cm
Sem Título
2026 · Acrílica sobre tela · 50 × 40 cm

James Kudo articula memória, corpo e materialidade a partir do universo da costura e do molde. Com base em experiências autobiográficas e repertórios afetivos, o artista transforma moldes, tecidos e linhas em estruturas pictóricas e espaciais que evocam presença e ausência. Seus processos de desmontagem e recomposição instauram a memória como trama em constante transformação. Na Bienal, apresenta uma instalação inédita em que a linha deixa de ser contorno para tornar-se estrutura relacional e dispositivo de inscrição do tempo.

Página do artista
05

Li Qing

Huzhou, Zhejiang, China · 1981 · vive em Hangzhou e Xangai
Li Qing
Li Qing
Li Qing
Li Qing
Li Qing
Li Qing
Obras
Série Dark Magazines / 阴翳志
2025/2026 · Livros e revistas revestidos com tecido · Tamanhos variados

Li Qing investiga o livro como superfície de tradução cultural e aproximação simbólica. O artista utiliza sedas tradicionais chinesas com motivos históricos regionalistas para revestir livros provenientes de diferentes culturas, estabelecendo conexões com universos sobre os quais pesquisa ou deseja se aproximar. Ao envolver livros estrangeiros com tecidos carregados de memória e tradição, Li Qing transforma o livro em ponte entre geografias, histórias e identidades distintas.

Página do artista
06

Chiharu Shiota

Osaka, Japão · 1972 · vive em Berlim
Chiharu Shiota
Chiharu Shiota
Chiharu Shiota
Chiharu Shiota
Chiharu Shiota
Chiharu Shiota
Chiharu Shiota
Chiharu Shiota
Chiharu Shiota
Chiharu Shiota
Chiharu Shiota
Chiharu Shiota
Chiharu Shiota
Obras
Connected to the Universe
2026 · Pastel de cera solúvel em água, tinta e linha sobre papel · 21 × 29,5 cm
Connected to the Universe
2026 · Pastel de cera solúvel em água, tinta e linha sobre papel · 42 × 30 cm

Chiharu Shiota investiga os espaços de transição entre presença e ausência, memória e imaginação, corpo e arquitetura. Para esta exposição, a artista apresenta um conjunto de instalações inéditas concebidas especialmente para o espaço expositivo, transformando-o em um território de suspensão, deslocamento e encontro.

Em suas obras, fios, objetos cotidianos e estruturas arquitetônicas tornam-se dispositivos de memória e percepção. O fio — elemento central de sua prática — conecta corpos, lembranças e trajetórias humanas, criando cartografias sensíveis que evocam pertencimento, perda e transformação. Ao ocupar e redefinir o espaço, Shiota constrói ambientes imersivos nos quais o público atravessa zonas de instabilidade emocional e sensorial.

Página do artista
07

Barbara Steppe

Karlsruhe, Alemanha · 1956 · vive e trabalha em Berlim
Barbara Steppe
Barbara Steppe
Obras
Jorge Amado
2026 · Cerâmica · 12 × 18 × 2 cm
Série de aquarelas sobre papel
2025/2026 · Aquarela sobre papel · 35 × 25 cm (cada)
James Joyce (2026) · Sally Rooney (2025) · Eugen Kogon (2025) · Toni Morrison (2025) · Leon Tolstoi (2026) · Robert Musil (2025) · Gabriel Garcia Marquez (2025) · Octavia E. Butler (2025) · Leo Tolstoi (2025)

No projeto desenvolvido para a Bienal, Barbara Steppe reproduz em cerâmica livros indicados por artistas participantes como obras fundamentais de suas trajetórias e universos subjetivos. Ao converter esses livros em objetos escultóricos, a artista desloca a leitura para o campo da presença física e da memória material. Seus livros-objeto habitam uma zona híbrida entre imagem, pintura, escultura e narrativa, propondo uma experiência sensorial marcada pela fragmentação, pela sobreposição e pela temporalidade do gesto.

Página do artista